A Câmara de Ilhabela recebeu os Vereadores da Frente Parlamentar Paulista do Litoral Norte para tratar sobre os serviços e atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – 192). O Presidente da FREPAP, Vereador Valdir Veríssimo (Cidadania – Ilhabela) agradeceu a presença de todos e afirmou estar inconformado com a ausência de representantes do SAMU. “Nosso objetivo era discutir sobre a regulação, como isso funciona, porque todas as vezes que ligamos no SAMU é uma central que distribui isso para as quatro cidades”, afirmou o parlamentar.

O Vereador Claudnei Xavier (PSDB – Ubatuba) afirma que em seu município não tem presenciado demora ou erros no atendimento. “O Prefeito recentemente conseguiu algumas viaturas lá e temos tido um atendimento condizente. A população tem dado o retorno, ouço de alguns munícipes sobre a demora, mas no que eu estive presente foi bem atendido”, explicou.

De Caraguatatuba, o Vereador Aguinaldo Butia (PMDB), explicou que seu município já tem cerca de 130 mil atendimentos ao longo de 9 anos e apenas uma reclamação foi oficializada. “O Prefeito lá implantou mais uma base do SAMU, a USB 07, na qual todo o investimento custeado através da verba do município, tanto a manutenção, como a compra da viatura e a
equipe que ali foi convidada para prestar os serviços”, contou.

O parlamentar de Ubatuba é funcionário do SAMU e explicou que a implantação da Central de Regulação em São Sebastião foi provocado pela clareza no sinal de transmissão. “Precisamos fazer uma visita para a CRO (Central de Regulação de Ocorrências), porque eles despacham viaturas às vezes sem necessidade, porque a triagem é mal feita. E às vezes o não é médico que faz, mas os atendentes por telefone e acaba prejudicando a cidade”.

O Vereador Prof de Paula (PMDB – Caraguatatuba) elogiou os serviços prestados em sua cidade e explicou que o CRO prioriza de acordo com as necessidades, mas seria interessante ter uma central nos municípios. O parlamentar também criticou a ausência de pessoas que costumam reclamar dos trabalhos, mas não estão presentes em reuniões para discussão do tema.

O serviço completou 9 anos e chegou a ser comemorado pela equipe de Ilhabela, mas nenhum representante compareceu na reunião. O Vereador Mateus Pestana (Pc do B – Ilhabela) solicitou que um espaço fosse cedido para a funcionária responsável pela Ouvidoria da Prefeitura de Ilhabela, para que abordasse as ocorrências no setor.

Denúncias na Ouvidoria

À convite do Vereador Gabriel Rocha (SD – Ilhabela), a Ouvidora do Município de Ilhabela Dulce Pinheiro afirma que o serviço dos funcionários do SAMU que atendem a população é maravilhoso, mas há falhas na triagem da Central. “Eu fui inserida dentro da situação por estar na Escola Gabriel e, em dois momentos que precisamos chamar a SAMU, a vice-diretora foi obrigada a chamar por dois alunos que passaram mal. A primeira há um ano mais ou menos, ela passou mal, veio na minha direção e fui obrigada a fazer o primeiro atendimento, percebi que estava tendo uma convulsão, o funcionário que estava mais atento chamou a SAMU, ficamos ali por 48 minutos esperando. […] Então um professor indignado pegou o carro e levou a aluna para o Hospital Mário Covas”, explicou.

Dulce ainda conta que uma funcionária estava com a coluna travada gemendo de dor na escola e acionou a SAMU, a sugestão do médico foi colocar em carro próprio para o Hospital, mas na dificuldade de remoção aguardaram o atendimento. “Esperamos, disse que havia designado do Engenho D’água para fazer atendimento, em 40 minutos entramos em contato de novo. Depois de um tempo eu descobri que não haviam aberto nenhum tipo de chamada para a Central de Regulação de São Sebastião”, contou a funcionária da Ouvidoria, que aguarda uma resposta da CRO sobre ocorrido há mais de um ano.

Gabriel Rocha leu outra denúncia contra o atendimento por telefone da SAMU, que fala de uma solicitação de emergência do serviço com sucessivas interrupções na ligação e relatos de grosseria da atendente, que provocou na urgência no acionamento de uma ambulância do Hospital Mario Covas Junior, pouco tempo depois o paciente foi a óbito.

Impressionado com os relatos, o Vereador Aguinaldo, de Caraguatatuba, afirmou que um requerimento pode ser feito, solicitando a gravação de tais ligações. O Vereador Gabriel Rocha enfatizou sua preocupação com esses casos de omissão de socorro e que o documento a ser elaborado seja encaminhado para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

O Presidente da FREPAP, Valdir Veríssimo solicitou que seja feito um Ofício através da Frente para buscar respostas sobre tais ocorrências. “Eu faço uma sugestão para que nossa assessoria elabore um Ofício, de acordo com todas essas denúncias, que sejam pontuadas as reclamações, diretamente para a Mara [responsável pela regulação do SAMU] para que dê respostas. Então, encaminhamos para nossos deputados, inclusive à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, em nome da Frente Parlamentar para perceberem que estamos preocupados com essa situação”,
enfatizou Veríssimo.

O Presidente da Câmara de Ilhabela Vereador Marquinhos Guti (DEM) deixou claro a falta de respeito dos representantes da SAMU ao não participar da reunião agendada previamente. “Eu fiquei surpreso porque eu não imaginava esse tipo de situação. Mas acho importante informar os superiores deles que tinham uma reunião com os representantes dos quatro
municípios e seu ausentaram. É importante que na próxima reunião mantenha o tema do SAMU, para que até lá alguém cobre deles soluções”, concluiu.

Estiveram presente também os Vereadores Onofre Neto (DEM- São Sebastião), Vereador Pedro Renato da Silva (PSDB – São Sebastião) e a Vereadora Nanci Zanato (Cidadania- Ilhabela).

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