Manifesto “Abrace Maresias” nasce de intervenção do CBH-LN

Engajado e com foco na qualidade das águas em Maresias, grupo prepara evento para comunidade previsto para março de 2020

 A Formação em Educação Ambiental e Recursos Hídricos do Programa de Comunicação Social do CBH-LN realizada pelo FunBEA – Fundo Brasileiro de Educação Ambiental, cumpre seus objetivos da etapa presencial. Foram 40 horas de integração entre atores do território que refletiram juntos o que querem para Maresias com enfoque na água, indicando como problemas prioritários o saneamento e a questão do “lixo” (resíduos sólidos). O último encontro do ano foi realizado nos dias 26 e 27 de novembro, lembrando que o curso foi iniciado em outubro.

A partir de metodologias de educação ambiental propostas pelo FunBEA durante os encontros, foi realizada uma pesquisa de percepção socioambiental com a comunidade, com 137 entrevistados, que resultou no manifesto ABRACE MARESIAS que será divulgado em breve. Também está previsto para acontecer em março de 2020, um evento aberto ao público, produzido pelo grupo, que integrará a programação do CBH-LN alusivo ao dia mundial da água, que acontecerá em 18 de março.  A ação contará com workshops, vivências, gastronomia, sarau, entre outros, visando popularizar boas práticas e conhecimentos sobre a bacia de Maresias, além de técnicas de saneamento alternativo, voltadas para a comunidade.

Fotos: Adriana Coutinho

O encontro contou com a presença de convidados como o Professor Val, da escola de capoeira angola Raiz Negra, de Barra do Sahy – São Sebastião e o professor Rogério Luis Santana Barroso, responsável pelo eixo tecnologias de hospitalidade da ETEC São Sebastião, visando fortalecer os integrantes enquanto grupo ativo e a pensar e produzir o evento final para a comunidade. Teve de tudo: das trocas de conhecimento científico, à roda de capoeira e vivências culturais. Professor Barroso compartilhou com o grupo, o apoio dos alunos da ETEC na produção do evento de março.

Jociane Debeni, da secretaria executiva do CBH-LN, também esteve presente e pôde assistir e se inteirar sobre o desenvolvimento dos trabalhos e as produções futuras para o território. “Espero encontrar vocês nas câmaras técnicas, na eleição da sociedade civil. Esse foi o primeiro passo, sejam comitê! Ninguém consegue fazer nada sozinho, é tudo no coletivo”, enfatizou Debeni.

Para Semíramis Biasoli, coordenadora do FunBEA, o resultado foi fantástico mediante o desafio. “Construímos laços e conhecimentos, o conteúdo nunca vai ser suficiente, sempre queremos saber mais e juntar instituições e atores atuantes do território, aproximá-los do Comitê, é estruturante para ações coordenadas e continuadas em prol das águas do Litoral Norte,”, finaliza.

Dados da pesquisa de percepção socioambiental

O grupo entrevistou 137 moradores de Maresias; 47,1 % possuem ensino médio completo, 22% são graduados. Questionados sobre como está o meio ambiente em Maresias, 24,3% disse que está péssimo, 25,7% ruim e 24,3% regular. Sobre o que é necessário para se ter praias limpas, a maioria apontou o saneamento, coleta de lixo sistematizada e conscientização da população. Sobre a qualidade dos rios em Maresias, 35,3% disseram estar ruim, 36,8% péssima, 19,1% regular e apenas 8,1% acha que está boa. 121 pessoas apontaram o esgoto doméstico como o maior fator que afeta a qualidade dos rios. Indagados para onde vai o esgoto de sua casa, 64,2% disseram possuir fossa séptica, 17% não soube responder. /em relação aos resíduos, 46,7% não reciclam o lixo em casa.

 Reflexões do grupo sobre a Formação

“Opiniões divergentes, discussões, agradeço por participar. Parabenizo à equipe pela forma como foi conduzido o processo, não houve conflito de ideias, de opiniões. O encontro uniu pessoas muito importantes, diversidade muito grande, vejo aqui as instituições todas representadas, apenas faltou mais representantes do poder público, como por exemplo, da Regional”, aponta Luan Harder, integrante da Rede Brotar. Patrícia Otero, da 5 Elementos enfatizou a organização, conforto e comprometimento na Formação. “As facilitadoras se preocuparam com o movimento do nosso grupo, bastante vivo, vibrante e cada um deu essa energia”.  “Muito impressionada, conhecendo cursos com 40 horas, esse foi muito intenso. Pareceram 120h em razão do resultado, concisão de conteúdo em tão pouco tempo. Reuniu tantos atores, tantas pessoas de Maresias fazendo as coisas sozinhas, foi uma forma de nos darmos as mãos”, destaca Marina Veltman, da ASCAM – Associação de Moradores de Maresias.

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