Morre Geraldo Bonifácio, um dos ícones da gastronomia caraguatatubense

Faleceu nesta quarta-feira (1°), em Caraguatatuba, Geraldo Bonifácio do Nascimento, aos 90 anos, que foi considerado um dos melhores cozinheiros do Litoral Norte. A informação é do blog do Salim Burihan. Nas décadas de 70 e 80, seus pratos foram apreciados por gente famosa: como os piloto Nick Lauda e Rene Arnoux (F1); os empresários Otávio Frias (Folha de SP) e Carlos Lacerda(ex-governador da Guanabara); artistas, como Stênio Garcia e Elizabeth Savalas; o Henfil(cartunista), cantores como Zizi Possi; o diretor de teatro, José Possi;  jogadores de futebol, entre eles, Sócrates, Muricy , Serginho Chulapa e Canhoteiro; o radialista Osmar Santos; entre tantos outros famosos.

Entre as décadas de 70 e 80 eram poucos os restaurantes em Caraguatatuba. Os turistas frequentavam os restaurantes  da dona Ermelinda, lá no Massaguaçu;  o Hugo Hugo, na saída para Ubatuba; o Veleiro, do Ditinho e Vera Peixoto;  o Xamego, da dona Maria, minha mãe; o Vila Rica; e a Lanchonete Estrela, do Chiquinho Monter Júnior, que na época eram considerados como “atrações turísticas” pela qualidade e diversidade da gastronomia oferecida.

“Seu Geraldo” se aposentou em 1990 e desde então “cozinhava” apenas para alguns amigos, quando solicitado. Sempre foi um homem simples, sem nenhuma aparência de “chef de cozinha”, mas de suas mãos saiam pratos inigualáveis e dos mais saborosos, confeccionados com peixes e carnes, entre eles, paella, caldeirada, moqueca de peixe, camarão à grega e um filé a Xamego, que faz muita gente, ainda hoje, ficar com água na boca”.

Quem via “Seu Geraldo”, de corpo inclinado, pedalando sua bicicleta pelas ruas e avenidas da cidade de Caraguá, não podia imaginar que aquele homem, dos mais simples, tinha uma mão mágica para a cozinha.

Nos últimos anos, apesar da idade avançada, fazia a limpeza de terrenos e lotes para aumentar a renda familiar. O que recebia de aposentadoria era pouco, mal dava para sobreviver e, principalmente,  manter os demais membros da família. Ele vivia jogando na loteria, sonhava em ficar milionário algum dia. Não ficou, mas deixa uma lembrança das mais rica.

Geraldo nasceu no Bairro Alto, em Natividade da Serra. Começou a trabalhar como ajudante de cozinha em 1948, aos 16 anos, no restaurante do Praia Hotel, em Caraguatatuba, na época, um dos mais renomados da região.

Aprendeu muita coisa da culinária com o cozinheiro Irineu Batista de Araújo. Ele lembra que também recebeu muitas dicas do próprio dono do hotel, o Frances Charles Gardendo. Naquela época, no início da década de 50, o hotel servia para seus hóspedes mais carne e frango. Em dias especiais, o hotel servia Feijoada e Bacalhau, segundou me contou Geraldo.

 “Naquela época, por volta de 1948, a cidade não recebia muitos turistas. Eram poucos, mas selecionados”, contou ele em 2013, quando decidi fazer uma matéria no blog sobre ele. Ao longo de sua vida como cozinheiro, Geraldo foi destaque em vários jornais.

Geraldo, a esquerda, ao lado de Maria Burihan, no Xamego

Em 1970, após trabalhar em restaurantes de São Sebastião, Ubatuba e Ilhabela, Geraldo foi contratado por minha mãe, a dona Maria, proprietária da Cantina Xamego, em Caraguatatuba. Estimulado por minha mãe, Geraldo diversificou sua culinária, passando a explorar mais os frutos do mar, principalmente, devido a maior frequência de turistas na cidade. Ele  foi sepultado, às 16 horas desta quinta (2), no Cemitério Municipal de Caraguatatuba, no bairro do Indaiá.

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