Pesquisadores do Instituto Argonauta publicam artigo sobre o caso emblemático envolvendo Pinguim-de-Magalhães que morreu por ingestão de máscara de proteção facial em Jornal Científico Internacional

Artigo foi publicado na Marine Pollution Bulletin neste mês, que integra um Jornal Internacional para Cientistas Ambientais Marinhos

Necropsia realizada pela equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) do Instituto Argonauta localizou uma máscara embrulhada dentro de um Pinguim-de-Magalhães em setembro do ano passado. (Divulgação/Instituto Argonauta)

O caso do Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) que engoliu uma máscara de proteção facial, percorreu e ainda percorre diversos países do mundo, e continua gerando uma comoção mundial. Tendo em vista sua repercussão e a importância sobre o caso, pesquisadores do Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha (www.institutoargonauta.org), publicaram um artigo científico sob o título: “Mortalidade de um pinguim de Magalhães juvenil (Spheniscus magellanicus, Spheniscidae) associada à ingestão de uma máscara protetora PFF-2 durante a pandemia de Covid-19” ou, em inglês, “Mortality of a juvenile Magellanic penguin (Spheniscus magellanicus, Spheniscidae) associated with the ingestion of a PFF-2 protective mask during the Covid-19 pandemic”.

 

O artigo foi publicado no Marine Pollution Bulletin, volume 166 de março de 2021, que é um conceituada Revista Científica Publicada pela Elsevier Scientific, e está disponível para consulta na ScienceDirect, a principal plataforma da Elsevier, podendo ser acessado através do link https://bit.ly/3lxjETn. A publicação foi desenvolvida pelo oceanógrafo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta, pela bióloga Carla Beatriz Barbosa, Diretora Executiva da instituição e coordenadora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) Trecho 10 Área SP, e ainda pelas biólogas MSc. Natalia Della Fina e MSc. Carla Gomes Bantel, pelas oceanógrafas MSc. Tami Albuquerque Ballabio e MSc. Mariana de Karam e Britto, pelo Médico Veterinário Fábio Teles de Santana e por Dr. John Browning, docente assistente do Departamento de Engenharia de Minas e de Engenharia Geotécnica e Estrutural da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

“Este artigo em uma conceituada Revista Científica Internacional, deve ser o primeiro relato científico de um animal marinho comprovadamente morto pela ingestão das máscaras protetoras. Já tínhamos diagnosticado um aumento da ocorrência deste material no período da pandemia, em especial após a primeira onda de flexibilizações, e sabíamos que era uma questão de tempo para encontrarmos animais marinhos que fossem vítimas. Serve como um alerta a toda a comunidade internacional de cientistas, conservacionistas, governos e população em geral acerca deste problema e da necessidade de disposição adequada não só deste material, mas de todos os resíduos sólidos de origem humana que podem chegar aos mares. Provavelmente foi o primeiro registro, mas infelizmente e com certeza não será o último”, afirma o oceanógrafo Hugo Gallo Neto.

O caso

O Pinguim-de-Magalhães foi encontrado morto na Praia de Juquehy, em São Sebastião/SP, dois dias após o feriado de 7 de setembro do ano passado. O feriado prolongado atraiu uma grande quantidade de pessoas ao Litoral Norte e, infelizmente, houve registro de acúmulo de lixo em diversas praias nesse curto período.

A necropsia realizada pela equipe PMP-BS do Instituto Argonauta revelou uma máscara n95 embrulhada em seu estômago.

Após divulgação do caso, diversos veículos de comunicação de diferentes países, como Estônia, Austrália, Suíça, Itália, Inglaterra, Portugal, EUA, Honduras, Nicarágua, Caribe, Espanha, Argentina, México, El Salvador, Porto Rico, Costa Rica, Colômbia, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Paraguai, Brasil, dentre muitos outros, repercutiram a morte da ave marinha.

Máscara embrulhada no estômago do Pinguim (Divulgação/Instituto Argonauta)

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