Preço da cesta básica dispara no Litoral Norte

O preço da cesta básica no mês de agosto no Litoral Norte aumentou em todos os municípios da região, segundo a pesquisa feita por técnicos do Centro Universitário Módulo e da Faculdade de São Sebastião – FASS. A pesquisa mensal é feita desde 2018.

A média dos preços nos municípios aumentou de R$ R$ 595,13 em julho, para R$ 603,10 em agosto, o maior preço da cesta na história da pesquisa feita desde 2018. A alta em agosto foi na média de 1,34%,

A variação nos preços da cesta básica nos quatro municípios no mês de agosto, em relação ao mês de julho: Caraguatatuba registrou a maior alta, de 1,90%; em Ubatuba, foi de 1,56%; em Ilhabela, de 1,36%; em São Sebastião, de 0,42%.

O preço da cesta básica mais elevado foi registrado no município São Sebastião, de R$ 614,68 e o menor preço em Caraguatatuba, de R$ 591,62. Em Ilhabela, o preço da cesta é R$ 611,03. Em Ubatuba, de R$ 595.06.

A diferença entre a cidade que tem a cesta básica mais cara (São Sebastião) em relação a mais barata (Caraguatatuba) foi de 3,90%. Em Caraguatatuba, o preço da cesta básica subiu 28% em um ano; em Ilhabela, 24,95%; em São Sebastião, de 24,01%); e, em Ubatuba, de 28,56%).

O aumento nos preços dos alimentos básicos é muito preocupante, pois atinge mais diretamente a população com menor renda, que gasta proporcionalmente mais recursos na aquisição desses bens. A inflação dos pobres é maior que a inflação média, considerando a redução do poder de compra daqueles que ganham menos. Por exemplo, quem ganha salário mínimo teve reajuste de 5,25%, enquanto o custo da cesta básica teve elevação de 25,32%, quase cinco vezes mais.

Variações

Dos 13 produtos que compõe a cesta, em agosto, 9 apresentaram alta nos preços e 4 apresentaram recuo na comparação com os preços do mês de julho. Os produtos que apresentaram maiores altas no mês de agosto foram: batata (34,74%), café (+ 14,81%) e banana (+ 10,12%).

Enquanto os produtos que apresentaram maiores reduções foram: tomate (- 4,78%), arroz (- 3,11%) e carne (- 2,07%). As principais variações são consequência da sazonalidade típica dos produtos agrícolas. De um modo geral os produtos que apresentaram maior variação em julho são aqueles com a maior variação em agosto, mas com sinais trocados.

Por exemplo, o tomate que foi o produto com maior alta em julho, apresentou a mais forte redução em agosto. A batata foi o produto com a mais expressiva redução em julho e apresentou a maior alta em agosto. Variação semelhante ocorre com a banana, redução em julho e alta em agosto. Há casos como do café, açúcar e manteiga com alta mais elevada nos dois últimos meses.

O aumento no preço da batata (34,74%) é consequência redução da oferta disponível no mercado e do realinhamento de preços em relação ao mês de julho, quando havia excesso de oferta. As geadas no início do mês de agosto também contribuíram para a redução da oferta e o aumento 4 no preço do produto. Cabe destacar que há um nova safra chegando ao mercado o que pode contribuir para a redução nos preços do produto já nas primeiras semanas de setembro.

A elevação no preço do café é consequência da redução da produção com a seca intensa em 2021 e as geadas do início de agosto. Para a CONAB Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra atual não deve ultrapassar 48,8 milhões de sacas de 60 kg de grãos, redução de 22,6% em relação ao período anterior (fonte: Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/ economia/notícia/2021-08/quebra-da-safra-e-exportacoes-devem-elevar-o-preco-do-cafe-em-ate40).

O açúcar também figura entre os produtos com maior preço nos últimos cinco meses, o que é consequência da maior elevação dos preços internacionais do produto e da queda da produção de cana-de-açúcar no Brasil, reflexo da seca mais intensa em 2021. Consequentemente ocorreu a redução da oferta de cana-de-açúcar, o que provocou o aumento dos preços dos seus derivados como o açúcar e o etanol (produto que não é objeto dessa pesquisa).

O preço da banana apresenta alta após três meses consecutivos de queda, resultado da redução da oferta com o clima mais frio (geadas) que provou a redução da produção nas regiões Sul e Sudeste. A redução no preço do tomate é consequência do aumento da oferta disponível no mercado e do realinhamento de preços em relação ao mês de julho. Nos últimos três meses há um efeito gangorra na oferta e preço dos produtos, as variações da produção resultam na variação dos preços.

O arroz que foi um dos grandes vilões da cesta alimentar em 2020, no entanto, o produto apresentou redução no preço pelo terceiro mês consecutivo. Esse resultado é consequência da maior oferta do produto no mercado com o aumento da produção e das importações.

Em 2021, os preços da cesta básica apresentam ritmo de crescimento menor em comparação ao observado em 2020. No entanto, os preços dos alimentos continuam altos nos últimos 12 meses, com variação muito superior à inflação média ou ao aumento do salário mínimo.

Há preocupação quanto a uma possível alta nos próximos meses em decorrência do frio rigoroso na última semana de julho e nos primeiros dias de agosto e do aumento no preço dos combustíveis e da energia elétrica. As geadas podem ter comprometido a produção agrícola nas regiões sul e sudeste. E a elevação nos preços dos combustíveis e da energia elétrica podem aumentar os custos de produção.

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