Investimentos de R$ 123 milhões da Prefeitura de São Sebastião em obras de contenção evita remoção de famílias na Vila Sahy

Um investimento de R$ 123 milhões em obras de contenção na Vila Sahy, na Costa Sul de São Sebastião, está sendo aplicado pela Prefeitura Municipal para a recuperação de uma das comunidades que mais sofreu com a catástrofe do dia 19 de fevereiro de 2023.

Essa medida também serviu para preservar parte da comunidade. Cerca de 900 casas seriam removidas do local a pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE), por entender que haveria risco na região.

Neste período, representantes da Prefeitura apresentaram ao governo do Estado e à Justiça as obras realizadas no local e como elas seriam importantes para eliminar os riscos para a população.

No começo deste ano, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se reuniu com os moradores das áreas a serem afetadas pelas demolições e, após conversa com a administração municipal, ficou acordado que retiraria da Justiça o processo de remoção.

O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto, destacou a importância do recebimento dos royalties referentes à exploração de petróleo para que o município pudesse acelerar as obras de recuperação das áreas atingidas pela tragédia. “Estamos levando dignidade e segurança para a população que tanto sofreu com as fatídicas chuvas do Carnaval passado”.

Durante a catástrofe, 100 quilômetros de rodovias foram afetados, houve mais de 80 pontos de bloqueio, 35 km de áreas foram destruídas, há quase 700 cicatrizes nas encostas da Serra do Mar, mais de 500 ruas foram atingidas em 18 bairros, houve mais de 3 mil desabrigados e desalojados, 64 pessoas morreram e 26 pessoas foram resgatadas com vida.

As obras fazem parte do pacote de serviços emergenciais de reconstrução do município e contam com serviços de limpeza e terraplanagem, contenções a serem feitas em solo grampeado com concreto projetado, plantio de vegetação, instalação de barreiras de contenção flexíveis e muros de gabião.

Também será feito um sistema de drenagem com nova travessia sob a rodovia Dr. Manoel Hyppolito do Rego (SP-55) e lançamento das águas pluviais no Rio Sahy. O prazo para a finalização das atividades é abril de 2024, e contemplará toda a extensão da Vila Sahy.

Na Barra do Sahy, a Prefeitura de São Sebastião também realiza a execução das obras emergenciais de drenagem e estabilização de talude na Vila Paraíso, que recebe um muro em placas na base do talude e escada hidráulica para ajudar no escoamento d’água nesses ambientes, colaborando para o controle do fluxo hidráulico e evitando que ocorram erosões no solo.

A intenção é prevenir futuros problemas ao estabelecer um sistema de drenagem com a capacidade de lidar com grandes volumes de chuva em curtos intervalos de tempo. Isso viabilizará a canalização do fluxo por meio de dispositivos de transposição para a infraestrutura hídrica local.

Mais obras

A Prefeitura está com outras obras emergenciais na Costa Sul em áreas também afetadas pelas chuvas de 19 de fevereiro. O investimento total, só em obras de contenção com recursos próprios, chega a quase R$ 193 milhões.

A Secretaria de Obras (SEO) realiza um conjunto de intervenções de infraestrutura em estabilidade de taludes e obras de drenagem na Rua Arthur Leal de Almeida, localizada no bairro de Boiçucanga, na Costa Sul.

O objetivo é criar um sistema de drenagem com níveis de serviço adequados e capacidade para grandes volumes de chuva em curtos períodos, utilizando dispositivos de transposição para encaminhamento do fluxo para a rede hídrica local (rios). O custo é de cerca de R$ 10 milhões e conclusão está prevista para este mês de fevereiro de 2024.

Ainda em Boiçucanga, na Rua Guilherme dos Santos, local conhecido como Morro 51, será criado, entre outros, um sistema de drenagem com níveis de serviço adequados e capacidade para grandes volumes de chuva em curtos períodos, com direcionamento através de dispositivos de transposição para a rede hídrica local (rios) e, além disso, estabilizar os taludes que circundam a região e que estão em situação de risco. O custo é de cerca de R$ 6 milhões e também deve ser entregue neste mês

Outras obras são na Vila Queiroz Galvão/Morro do Esquimó, no bairro de Juquehy, onde a localidade sofre, historicamente, com chuvas intensas em curtos períodos de tempo que, conjuntamente à acidentada topografia do município, provocam séries de deslizamentos de terra e alagamentos.

Houve grandes movimentações de terra e alagamentos de ruas que, por sua vez, provocam deterioração acelerada da infraestrutura local, tornando os níveis de serviços inadequados.

A intervenção realizada compreende a execução de canal hidráulico em muro de gabião, de modo a condicionar melhor o fluxo hídrico vindo das áreas mais elevadas do bairro. Para estabilizar os taludes em situação de criticidade, estão previstas intervenções de contenção do tipo solo grampeado e posterior proteção superficial em concreto projetado.

O custo é em torno de R$ 17 milhões, com prazo de execução de quatro meses e término dos serviços previsto para fevereiro de 2024.

Já na Vila Pantanal, no mesmo bairro, são executadas duas grandes estruturas com capacidade de prevenir futuros problemas ao estabelecer um sistema de drenagem para lidar com grandes volumes de chuva em curto intervalo de tempo.

Canaletas meia cana são instaladas em todo o entorno da área afetada. Na base do morro haverá um extenso muro em placas, e o terreno que sofreu erosão será estabilizado com uso da técnica de solo grampeado com concreto projetado, que consiste na introdução de barras de aço em concreto de alta resistência no maciço que, posteriormente, recebem uma proteção de estrutura com jateamento de concreto projetado, armado com tela metálica.

O grande volume de água da chuva que incidiu no local alterou o curso natural das águas, deslocando um grande volume de terra. Como consequência, ruas alagaram e a infraestrutura local foi danificada.

Em outra região de Juquehy, as obras ocorrem na Vila Pernambuco, que recebe trecho de canal em muros de gabião para interligação ao curso hídrico natural, assim como colchão reno, também conhecido por colchão de gabião, no leito do rio, para transposição do volume hídrico, impedindo o assoreamento.

No local, o curso natural das águas e o sistema de contenção existente à época da tragédia foram carregados pelas fortes chuvas. As grandes movimentações de terra e alagamentos de ruas provocaram deterioração acelerada da infraestrutura local.

Na Estrada do Piavú, localizada no Cambury, a técnica utilizada também é de solo grampeado com concreto projetado, além da execução de bacia em gabião tipo caixa, modelo construtivo que permitirá a drenagem e o direcionamento do fluxo de água para a rede de tubulação a ser instalada no local.

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