Rio Tabatinga: Ação de despoluição alerta para alto índice de coliformes fecais

A manhã desta quinta-feira (13/05) foi marcada pela ação “Despoluição do Rio Tabatinga: Água Limpa + Saúde”, que visa a melhoria do corpo d´água que está localizado na região norte de Caraguatatuba, divisa com Ubatuba. Há mais de um ano a praia se mantém com a bandeira vermelha da Cetesb, que indica poluição da água do mar no trecho próximo ao rio.

O presidente da ONG Centro Educacional e Ecológico de Proteção Ambiental (Ceepam), Eduardo Leduc, se reuniu com representantes das Secretarias de Urbanismo, Serviços Públicos, Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, além da Polícia Ambiental, Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) – Núcleo Caraguatatuba, Pioneira, Sabesp, Ambiotec, Hidrel e condomínios Costa Verde Tabatinga e Ilhas Canárias, além de moradores, para apresentar o projeto.

Na ocasião, ele apontou um dado considerado preocupante por todos que foi a análise de amostras de água do rio onde a quantidade de coliformes fecais, tolerável pela Cetesb e Organização Mundial de Saúde, chega a 30 vezes mais dos índices recomendados.

“Há pontos depois da ponte da Rodovia Rio-Santos (SP-55) e a desembocadura do rio onde a coleta sinalizou de 15 mil a 300 mil, quando o tolerável é de 5 mil”, alerta Leduc. Segundo ele, o trecho é pequeno e passível do problema ser resolvido. “Essa ação tem esse objetivo: identificar os pontos de poluição”.

Para o secretário de Urbanismo de Caraguatatuba, essa ação conjunta é importante e de relevância primordial para o município em relação à degradação ambiental. “A partir do momento que o prefeito Aguilar Junior soube da iniciativa, nos pediu urgência nas ações efetivas da Secretaria em cima do que é proposto”.

Para ele, desde que a secretaria abraçou o projeto, foi possível identificar a necessidade do trabalho conjunto entre os órgãos públicos e a sociedade civil. Ele lembra dos problemas já identificados como despejo irregular de esgoto no rio, bem como ligações clandestinas de água e reforça que os responsáveis são notificados e se não realizaram a ligações à rede da Sabesp no prazo determinado sofrerão sanções e os casos serão enviados ao Ministério Público.

Na avaliação do diretor do PESM, Miguel Nema, a manutenção da vida é fundamental, principalmente porque as principais nascentes estão dentro do Parque. “É importante para proteger o trecho que não está dentro do PESM e faz parte do apoio que estamos dando para a ação”.

Também presente na ação, o capitão Igor Hiasa, comandante da Polícia Ambiental do Litoral Norte, comentou sobre as atividades realizadas na região do rio Tabatinga. “É de extrema importância mantermos a preservação desse rio, tanto na questão de destinação de resíduos, mas também na preservação da mata ciliar porque intervenção é crime e o responsável responde criminalmente por isso”.

Ações executadas

Entre as medidas a serem executadas a partir desta ação estão a instalação de placas informativas, plantios de mudas de árvores frutíferas, entrega de panfletos e colocação de banners em comércios do bairro.

Para chamar a atenção da comunidade e visitante, também foi colocado um casco de veleiro com um vaso sanitário dentro simbolizando a preocupação com o despejo irregular de esgoto.

Além da questão ambiental, os organizadores atentam para os problemas de saúde que a poluição pode ocasionar para os banhistas do rio e das praias.

“A doença mais comum associada à água poluída por esgoto é a gastroenterite, que apresenta como sintomas o vômito, dores de estômago, diarreia e febre. A poluição pode também causar a hepatite e outras doenças oportunistas como conjuntivites, otites e doenças na pele”, alerta presidente do Ceepam, acrescentando que “nadamos em nosso próprio lixo e esgoto. Precisamos vamos mudar isso”.

O bairro da Tabatinga é atendido pela rede de esgoto da Sabesp e todos os moradores devem realizar a ligação doméstica aos ramais que passam pelas ruas. Caso isso não seja feito, o proprietário está sujeito à multa de 460 VRM (Valor de Referência do Município), hoje equivalente a R$ 1.720,40, com base na Lei 1.144/1980 artigo 43 e 53 da Lei 1.388/1986 (Código de Postura).

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